Como a ciência e a pesquisa interferem na sociedade?

03 de Julho de 2018

Nós respiramos os resultados da ciência e tecnologia. Tudo o que é pensado, pesquisado e desenvolvido é o que move a sociedade, pois o conhecimento é capaz de mudar a vida das pessoas e gerar condições para a modernização de um país. Prova disso são as respostas aos problemas e aos desafios do mundo moderno, que, ao perceber o novo, deixam cada vez mais a ciência em destaque.

É por meio da pesquisa que conseguimos realizar uma análise ampla das questões e peculiaridades de uma região ou sociedade, com o objetivo de trazer soluções, novos conceitos e reflexões sobre a realidade.

O investimento em pesquisa científica na área da saúde, agricultura, tecnologia, entre tantos outros campos de conhecimento, resultou em grandes avanços para o desenvolvimento social e para a cura ou tratamento de inúmeras doenças.

Dessa forma, por exemplo, desde janeiro de 2017 o professor do Departamento de Botânica do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), que trabalha com fisiologia vegetal, Dr. Paulo Henrique Peixoto, junto com o pós-doutorando, Cristiano Ferrara de Rezende, desenvolvem uma pesquisa para selecionar espécies e técnicas para recuperação das margens e matas ciliares dos rios próximos à região de vazamento dos rejeitos da barragem de Fundão, em Mariana (MG).

O objetivo principal do projeto, gerenciado pela Fundação de Apoio e Desenvolvimento ao Ensino, Pesquisa e Extensão (UFJF), é compreender e diminuir as implicações prejudiciais aos meios socioambientais e econômicos causados pelo rompimento da Barragem, em 2015.

Pesquisar para desenvolver

De acordo com o professor, a conjuntura é nova e esse é um projeto de um total de vinte e nove, sendo que em botânica são em torno de pelo menos oito projetos espalhados por Minas Gerais (MG), que visam oferecer soluções possíveis para a recuperação das matas ciliares nas margens dos rios afetados pelo movimento da lama. Assim, os pesquisadores da UFJF escolheram trabalhar com seis espécies de leguminosas arbóreas, pois tem capacidade de fixar o nitrogênio (78% da atmosfera) e a grande característica de se desenvolver em solos com pouca fertilidade, além de pitangueiras, que é relativamente tolerante a ferro, uma vez que o rejeito é composto pelo elemento.

“Já coletamos amostras e montamos um experimento usando as espécies em porcentagens diferentes de rejeito. A ideia é fazer análise bioquímica e de resposta de fotossíntese e de ecofisiologia [adaptação da fisiologia dos organismos às condições ambientais]. Conseguimos também verificar como as espécies estão capturando energia radiante e através disso podemos medir o desenvolvimento”.

Esses são alguns princípios que poderão explicar os efeitos da lama da barragem de Fundão no que se refere ao progresso da vegetação.

É possível verificar, ainda de acordo com o prof. Paulo, que existem espécies que aparentam uma maior tolerância ao solo e outras não. “Nenhuma planta morreu no rejeito puro, no entanto ela sobrevive numa condição pobre em nutrientes, com crescimento reduzido em no mínimo 80%. Aparentemente leva a obrigatoriedade de uma mistura de solo fértil com rejeito ‘(se não for retirado, o que não deve acontecer)’ para o sucesso do reestabelecimento do que era antes. O solo precisa ter condição para isso”.

Todo trabalho é basicamente um estudo piloto de todos. Este caso do rompimento da barragem, com efeitos tão severos, nunca havia acontecido, portanto, para o professor Paulo, “este é um trabalho embrionário que está na etapa de conhecimento e é tão complexo que podemos nos surpreender com a velocidade que o ecossistema pode se reestabelecer”.

Segundo conclusão do pesquisador, um dos problemas maiores é a sensação de abandono das pessoas que moram no entorno. A preservação e melhoria do que era antes já traz o sentimento de avanço. A bacia já era comprometida. “Se não houver uma proposta de controle de desmatamento, incentivo aos proprietários da margem a coisa não vai fluir. Não pode cair em esquecimento. É necessário juntar os esforços da classe cientifica de MG. Temos que estabelecer parâmetros, definir espécies e proporção de misturas e índices, conhecer as espécies dos remanescentes... Esse conjunto de ações trará respostas mais concretas da melhor forma de agir”.






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