Máquina desenvolvida na UFJF detecta alteração no leite

25 de Julho de 2018

Nós consumimos leite e derivados, e, diante de vários casos de adulteração já constatados, a preocupação com a qualidade dos produtos que chegam à mesa dos consumidores se torna cada vez mais alarmante. Você não quer que centenas de indivíduos, principalmente crianças, continuem sendo envenenadas por produtos adulterados, não é mesmo?

Diante dessa preocupação e do destaque que o Brasil tem como 4º maior produtor de leite no mundo, um grupo de pesquisa da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), coordenado pelos professores do departamento de Física, Maria José Valenzuela Bell e Virgílio de Carvalho dos Anjos, a partir do estudo “Técnicas para verificação da porcentagem de água no leite”, desenvolveram o produto chamado Milktech.

O aparelho, com a patente concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) em junho de 2018, é capaz de medir a temperatura do leite e fazer a avaliação da qualidade da bebida. O aparelho acusa se o leite é bom ou é suspeito, caso encontre ou não porcentagem não permitida de água e/ou constituintes (como bicarbonato, cloreto, formol e soda cáustica, por exemplo).

De acordo com a pesquisadora Maria Bell, o Milktech é um equipamento de pequeno porte e que traz respostas rápidas frente aos métodos de avaliação existentes no mercado.

“A nossa ideia era um método físico que pudesse detectar a adição de água de uma forma simples e confiável, mas além disso conseguimos com a máquina detectar eventuais fraudes. O aparelho é portátil, utiliza bateria recarregável e tem uma simples utilização, dessa forma ele é prático e pode ser utilizado nos locais de produção e armazenamento do leite”, destaca a professora.

 

Fonte: Researchgate

(Equipamento Milktech. Fonte: Researchgate)

 

Por que é viável utilizar o Milktech desenvolvido na UFJF?

O objetivo dos pesquisadores, além de evitar que o leite adulterado cause impactos econômicos e na saúde do consumidor, é oferecer aos produtores um meio fácil e rápido de avaliar a matéria prima.

Com um custo viável, o Milktech é portátil e pode ser levado à fazenda. Ele traz rapidez de resposta, pois são necessários apenas 15 segundos para atestar a qualidade do leite, situação que o consumidor não tem meios de realizar.

Os pesquisadores estão cedendo a máquina a fazendas, a laticínios e empresas da região para testes e isso tem fornecido retorno para atestar que o aparelho funciona e é eficiente.

As adulterações e os métodos de avaliação

Em qualquer fase da cadeia produtiva pode ocorrer adulteração do leite. Os produtores ou empresas modificam o produto base com o objetivo de conquistar maior lucro ou ainda disfarçar a baixa qualidade da bebida.

Hoje o método de avaliação utilizado é o crioscópio, que consegue avaliar, apenas, a quantidade de água inserida no leite. Porém, outras substâncias passam pela aprovação do atual procedimento. Outra solução para encontrar constituintes é a adição de reagentes à amostra de leite, que após alguns minutos é capaz de identificar a fraude.

Em casos de adulteração, a empresa deve denunciar ao Ministério Público Estadual, Ministério da Agricultura ou Procon, para que os responsáveis sejam punidos.

Portanto, os atuais métodos são demorados e incompatíveis com a indústria; tanto para analisar a qualidade do leite quanto a eventual fraude.

 

 

Por Paulo César Rosa

Assistente de Negócios e Comunicação da Fadepe

 






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