UFJF participa de projeto de parque eólico offshore

10 de Outubro de 2018

O Brasil possui uma dimensão gigantesca e ainda assim não explora toda sua grandeza. De modo a desenvolver a capacidade do país em gerar energia limpa, a Petrobrás convidou pesquisadores, incluindo professores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) para participarem de projeto de parques eólicos offshore (windfarms), aqueles instalados no oceano.

De acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica) o Brasil está investindo mais em energia renovável e em 2017 o país se tornou a oitava região do mundo com capacidade instalada em usinas eólicas.

Segundo informações do jornal Folha de São Paulo, de acordo com levantamento da consultora ePowerBay, os dez parques eólicos onshore (parques instalados no continente) mais produtivos no Brasil, que ficam no Nordeste, tiveram fatores de capacidade que se comparam com rendimentos offshore (parque quem têm ventos mais fortes devido à localização). Para a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena) o vento brasileiro é razoavelmente mais produtivo que a média global, mas com números entre os maiores do mundo na região Nordeste.

Com todas as condições de instalação e desenvolvimento favoráveis, equipes de quatro universidades brasileiras, incluindo UFJF (a qual possui o projeto gerenciado pela Fadepe), foram convidadas pela Petrobrás a submeter uma proposta, em um planejamento de longo prazo, de instalação de usinas eólicas offshore no Brasil. Essa prática é comum e muito desenvolvida nos países da Europa, no Brasil ainda não existe nenhuma usina desta característica.

O projeto está sendo desenvolvido com recursos do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do Setor de Energia Elétrica (P&D) da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

O país está empenhado na geração de energia limpa e renovável, além de contribuir cada vez menos com a geração de gases que beneficiam o efeito estufa. Por conseguinte, o projeto beneficia a sociedade e é tão importante do ponto de vista pesquisa e instituição quanto também da interação entre indústria e Universidade.

De acordo com o professor Dr. do departamento de Energia da Faculdade de Engenharia da UFJF, João Alberto Passos Filho, coordenador do projeto “Estudos de Metodologias para Conexão de Usinas Eólicas Offshore”, no Brasil a maior parte dos parques são onshore, enquanto boa parte do nosso potencial está no mar.

“No oceano as características dos ventos são alteradas, quando eles são mais constantes e mais fortes, entre uma série de benefícios. A Petrobrás tem tecnologias para instalar plataformas e está capitaneando esse processo de parques offshore no país. Foi realizado um planejamento e cada uma das Universidades convidadas está gerando resultados de aspectos cabíveis em cada campo de estudo, como: ambientais, desenvolvimento da cadeia produtiva e parte mecânica das estruturas offshore. Nós [da UFJF] fomos convidados a desenvolver os estudos elétricos e energéticos. Portanto, são quatro universidades brasileiras com notório saber”, destaca o professor pesquisador.

A pesquisa contribui de forma forte na graduação e pós-graduação. Para esse projeto são direcionados oito bolsistas de Iniciação Científica e oito de pós-graduação. Para João Passos, o fato de gerar energia no oceano levanta a  questão de como trazer a energia gerada no oceano para o continente.

“Este é um problema elétrico e é isso que nossa equipe está estudando: como se fazer de forma eficiente e com minimização de perdas. É um termo de cooperação de três anos e envolve dez professores de diferentes departamentos. Cada grupo estuda uma área, como qualidade de energia, corrente de transmissão, corrente alternada e corrente contínua, otimização do sistema coletor e planejamento energético [qual seria o impacto no setor elétrico brasileiro]”, conclui.

A tendência é a busca por maior eficiência. O vento tem características diferentes no oceano e no continente. Quanto melhor se aproveitar o vento, menor o custo. Para o professor, a expectativa é de que o projeto seja viável tanto tecnicamente quanto economicamente.

 

Por Paulo César Rosa / Fadepe






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