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Ciência, inovação e saúde pública: a trajetória da Faculdade de Farmácia da UFJF no fortalecimento do SUS
A trajetória da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) é marcada pela integração entre ensino, pesquisa e extensão, com forte atuação em saúde pública e no Sistema Único de Saúde (SUS). Em entrevista à FADEPE, o professor Marcelo Silvério, diretor da unidade e presidente do Conselho Curador da Fundação, destacou o papel das parcerias institucionais e da ampliação da infraestrutura como eixos centrais da sua gestão.

Segundo o professor, o avanço da Faculdade ocorreu mesmo em um cenário de restrição orçamentária, com forte dependência de parcerias externas e projetos institucionais. Ainda assim, a unidade conseguiu ampliar sua capacidade de atuação acadêmica e assistencial.
“Implantamos seis laboratórios novos ao longo desses últimos anos, que foram construídos e montados tanto com recursos oriundos de agências de fomento, por projetos de pesquisa institucionais, projetos específicos da faculdade de farmácia em parceria com o Ministério da Saúde e, mais recentemente, junto à pandemia e pós-pandemia, com investimento da Secretaria Estadual de Saúde”, explica.
Os investimentos realizados permitiram não apenas a expansão da estrutura física da Faculdade, mas também a consolidação de projetos voltados à pesquisa, inovação e assistência em saúde.
“Esses são três exemplos claros de projetos e parcerias externas que nos trouxeram retorno do ponto de vista da nossa capacidade de investimento e, obviamente, com todo o apoio da Universidade a estruturação e o funcionamento desses laboratórios no âmbito da Faculdade de Farmácia”, complementa.
Formação acadêmica e atuação em saúde pública
A atuação da Faculdade de Farmácia também se destaca pela forte inserção no sistema de saúde e pela vocação histórica para atividades assistenciais. Essa relação com a sociedade se consolidou ao longo das últimas décadas, especialmente por meio da farmácia universitária e de serviços laboratoriais voltados à população.
Ao relembrar a trajetória da instituição, Marcelo destaca que o compromisso com o atendimento à comunidade sempre esteve presente nas atividades da Faculdade.
“A Faculdade de Farmácia sempre teve uma vocação para as suas atividades assistenciais. Em décadas passadas, nos anos 90, a Faculdade sempre manteve a sua farmácia universitária, que disponibilizava e comercializava medicamentos especialmente para a população do entorno da universidade, além de possuir um laboratório de análises clínicas que prestava serviços para os nossos usuários”, relembra.
Com o avanço da integração com o sistema municipal de saúde, essa atuação foi ampliada e passou a atender diretamente a população de Juiz de Fora e região, fortalecendo a presença da universidade dentro do SUS.
“Especialmente a partir da segunda década dos anos 2000, houve uma integração completa com o sistema de saúde local, onde há esse atendimento, tanto com a dispensação de medicamentos, da atenção primária à saúde, mas também na prestação de serviços clínicos e manipulação de medicamentos para o SUS.”, afirma.
Vigilância laboratorial e atuação regional no SUS
Durante a pandemia de COVID-19, a Faculdade ampliou significativamente sua atuação na área de vigilância laboratorial, consolidando-se como referência regional no diagnóstico de doenças.
Atualmente, os laboratórios vinculados à instituição atuam em diferentes frentes da saúde pública, atendendo demandas de dezenas de municípios da região.
“Hoje atuamos na vigilância laboratorial de vírus respiratórios, de arboviroses, que são: dengue, zika, chikungunya, febre amarela. Também somos referência para o diagnóstico do HIV, da tuberculose e para a análise de água. O nosso alcance é para toda a região macro sudeste de Minas Gerais, atendendo diversos exames em 94 municípios ao redor de Juiz de Fora, incluindo Juiz de Fora”, destaca.
Tecnologia, biologia molecular e futuro da atuação
O avanço das tecnologias em saúde, especialmente da biologia molecular, tem sido fundamental para o fortalecimento da atuação da Faculdade nos diagnósticos laboratoriais e na vigilância em saúde.
Na avaliação do professor Marcelo, a experiência vivida durante a pandemia reforçou a importância da ciência e da incorporação tecnológica nos serviços de saúde.
“A COVID nos trouxe várias lições. E uma delas foi justamente a aplicação da tecnologia de biologia molecular para o diagnóstico das doenças, sendo essa uma tecnologia que avança cada vez mais”, explica.
Segundo o professor, a manutenção dessa estrutura depende diretamente da continuidade de parcerias institucionais e do investimento em infraestrutura tecnológica, garantindo a atualização permanente dos equipamentos e serviços.
“É muito importante que haja a manutenção dessas parcerias para que mantenhamos o nosso Parque Tecnológico ativo, sendo renovado e em pleno funcionamento, para que possamos, então, atender as demandas da sociedade”, afirma.
Governança institucional e papel da FADEPE
Na dimensão institucional, o professor Marcelo Silvério preside o Conselho Curador da FADEPE, responsável pela governança e supervisão estratégica da Fundação no apoio aos projetos da UFJF.
Segundo ele, o período recente exigiu decisões de gestão voltadas à estabilidade institucional em um cenário de restrição de recursos, demandando responsabilidade administrativa e planejamento.
“A nossa Fundação de Apoio passou por momentos difíceis, acompanhando a crise orçamentária nacional. Isso tudo afetou de forma importante a Fundação, mas o Conselho Curador junto às diretorias executivas foram muito sóbrios na tomada de decisões, no que se refere à redução dos custos, redução dos gastos, escolhas adequadas de investimento, de adequação das normativas da Fundação, para que ela pudesse atravessar aquele momento difícil”, explica.
Com a retomada dos investimentos em ciência e tecnologia, a Fundação volta a projetar crescimento e fortalecimento institucional.
“Hoje, com o retorno do investimento em Ciência e Tecnologia no Brasil, a Fundação começa a olhar para o futuro novamente com perspectivas boas de crescimento”, conclui.