Notícias
Da pesquisa à inovação: como a Unidade EMBRAPII do IF Sudeste MG amplia as conexões com o setor produtivo
A aproximação entre ciência, tecnologia e setor produtivo tem ganhado cada vez mais espaço nas estratégias de desenvolvimento e inovação. Para o Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais (IF Sudeste MG), esse movimento ganha uma nova dimensão com o credenciamento da Unidade EMBRAPII em Tecnologias da Produção Animal, ampliando as possibilidades de desenvolvimento de projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) e fortalecendo a atuação da instituição junto às empresas e à sociedade.
À frente da Pró-reitoria de Pesquisa, Pós-graduação e Inovação, a professora Fabianne Magalhães Girardin Pimentel Furtado acompanha esse processo de fortalecimento da pesquisa e da inovação no IF Sudeste MG. Graduada em Fisioterapia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), especialista em Fisioterapia do Aparelho Locomotor no Esporte pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), onde também realizou mestrado e doutorado em Cirurgia Translacional, Fabianne possui pós-doutorado no Departamento de Engenharia Mecatrônica da Escola Politécnica da USP e estágio em Pesquisa Aplicada no Southern Alberta Institute of Technology (SAIT), no Canadá. Na instituição, também atuou como diretora de Pesquisa e Pós-graduação e como diretora de Pesquisa, Inovação e Pós-graduação do Campus Barbacena.

Fabianne Magalhães Girardin Pimentel Furtado
Em entrevista à FADEPE, ela fala sobre o significado do credenciamento da Unidade EMBRAPII, os caminhos para aproximar a pesquisa das demandas do setor produtivo, as oportunidades relacionadas às Tecnologias da Produção Animal e a importância de estruturas especializadas para garantir segurança e eficiência na execução dos projetos.
Uma nova etapa para a pesquisa aplicada
O credenciamento da Unidade EMBRAPII em Tecnologias da Produção Animal representa uma nova etapa para o IF Sudeste MG, resultado de um esforço coletivo que envolveu pesquisadores e gestores da Reitoria e do Campus Rio Pomba. A iniciativa amplia a visibilidade da instituição, abre novas possibilidades para o desenvolvimento de projetos de PD&I e cria condições para fortalecer a relação com empresas.
Esse modelo também apresenta uma estrutura de financiamento estratégica, na qual um terço dos recursos é aportado pela EMBRAPII, um terço pela empresa parceira e um terço pelo IF Sudeste MG, na forma de contrapartida econômica. Para Fabianne, essa configuração pode viabilizar projetos que, em outras circunstâncias, seriam mais difíceis de serem desenvolvidos apenas com recursos próprios das empresas ou da instituição. “Essa conquista representa colocar o IF Sudeste MG em outro patamar no campo da pesquisa aplicada e da inovação. A chancela da EMBRAPII amplia significativamente a visibilidade e o reconhecimento da nossa instituição”, afirma.
A nova Unidade também amplia as possibilidades de aproximação entre pesquisadores e setor produtivo e cria oportunidades para os estudantes participarem diretamente dessas experiências. Como bolsistas, eles poderão vivenciar ambientes de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação, entrando em contato com desafios reais e com empresas. Dessa forma, a conquista fortalece simultaneamente a instituição, a pesquisa aplicada, as parcerias e a formação acadêmica.
Aproximar conhecimento e demandas reais
Essa aproximação entre instituições de ensino e empresas representa uma mudança na própria forma de compreender a produção de conhecimento e inovação. Historicamente, instituições de ensino e pesquisa foram vistas principalmente como espaços de produção e disseminação do conhecimento científico, acadêmico e tecnológico, enquanto o setor produtivo ocupava uma participação mais limitada nesse processo. Com o tempo, porém, tornou-se cada vez mais evidente a importância de conectar a produção científica às necessidades encontradas fora desses espaços.
Nas últimas décadas, mudanças na legislação e a criação de políticas e mecanismos de fomento contribuíram para aproximar esses dois ambientes. A EMBRAPII é um dos exemplos desse movimento, criando mecanismos para que instituições de pesquisa e empresas possam desenvolver projetos de forma conjunta. A experiência internacional reforça essa importância: nos Estados Unidos, o setor empresarial respondeu, em 2023, por 78% da execução e 75% do financiamento de toda a pesquisa e desenvolvimento realizada no país.
Para Fabianne, essa participação conjunta é característica de ecossistemas de inovação mais desenvolvidos e ajuda a fazer com que o conhecimento produzido nas instituições tenha maior conexão com os desafios da sociedade. “Essa conexão é fundamental. Ela dá relevância social à atuação das instituições de ensino e pesquisa, ajuda as empresas a desenvolverem novos produtos, processos e tecnologias, fortalece as economias locais e regionais e, em última instância, contribui para o desenvolvimento do país.”
É justamente essa perspectiva que o IF Sudeste MG pretende fortalecer com a Unidade EMBRAPII: aproximar o conhecimento produzido por seus pesquisadores dos desafios concretos da sociedade e do setor produtivo, transformando conhecimento em soluções e soluções em desenvolvimento.
Ciência e tecnologia voltadas à produção animal
Dentro dessa proposta, o Polo de Inovação em Tecnologias da Produção Animal (TPAnimal) concentra oportunidades relacionadas a um setor que passa por importantes transformações. Sustentabilidade, rastreabilidade e digitalização dos sistemas produtivos estão entre os movimentos que criam novas demandas para a pesquisa e a inovação na produção animal.
Nesse cenário, destacam-se possibilidades de desenvolvimento de produtos, processos e serviços voltados à nutrição e alimentação animal, à sanidade e ao bem-estar, além da aplicação da Zootecnia de Precisão, com uso de tecnologias digitais, automação e inteligência de dados para ampliar a eficiência e a produtividade dos sistemas de produção.
A Unidade EMBRAPII IF Sudeste MG em Tecnologias da Produção Animal nasce preparada para atuar justamente nesse espaço, contribuindo para desafios como a redução da pegada de carbono e a otimização do uso de recursos nos sistemas de produção animal; o aumento da eficiência alimentar e a melhoria da sanidade e do desempenho dos rebanhos por meio de soluções biotecnológicas e digitais; o desenvolvimento de tecnologias para automação, monitoramento e tomada de decisão; e o atendimento às crescentes exigências relacionadas à biosseguridade, rastreabilidade e bem-estar animal.
As informações sobre as oportunidades e os desafios relacionados à produção animal foram apresentadas com a colaboração do diretor da Unidade EMBRAPII, Sérgio de Miranda Pena, que também contribuiu para as perspectivas de atuação da Unidade nos próximos anos.
Gestão como parte da inovação
O desenvolvimento de projetos de PD&I, entretanto, envolve uma estrutura que vai além da pesquisa propriamente dita. Recursos, contratações, aquisições, pagamentos, acompanhamento e prestação de contas fazem parte da execução e exigem segurança, transparência e responsabilidade.
No modelo EMBRAPII, essa gestão conta com fluxos, metas e mecanismos de acompanhamento, além de assessoria e consultoria permanentes às Unidades e de iniciativas que estimulam a troca de experiências entre elas. Fabianne ressalta que esse acompanhamento também contribui para o aprimoramento da própria gestão. “Em toda parceria há trocas, aprendizados e espaço tanto para iniciar novos projetos quanto para consolidar relações já construídas.”
Nesse processo, a prestação de contas não deve ser entendida como uma etapa posterior à pesquisa, mas como parte da própria execução dos projetos. “Nossa atuação primordial, como instituição de pesquisa, é criar e executar projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Mas tão importante quanto ter boas ideias e executar projetos de excelência é garantir que todos os recursos sejam administrados com segurança, transparência e responsabilidade”, explica.
É nesse contexto que a parceria com a FADEPE ganha relevância. A Fundação oferece suporte especializado à gestão administrativa, financeira, contábil e jurídica dos projetos, contribuindo para processos de aquisição, contratação, pagamentos e prestação de contas. Essa estrutura permite que pesquisadores e gestores concentrem seus esforços no planejamento e na execução das iniciativas, contando com uma equipe especializada para acompanhar os procedimentos administrativos e financeiros. “A expertise da Fundação em gestão de projetos e seu compromisso com compliance nos dão uma segurança muito importante, especialmente nos processos de aquisição, contratação, pagamentos e prestação de contas”, destaca.
Na avaliação da pró-reitora, essa atuação também está relacionada à responsabilidade institucional: “Precisamos ser tão bons na gestão dos recursos quanto somos na criação e na execução dos projetos, porque transparência, eficiência e prestação de contas também são formas de prestar contas à sociedade sobre o conhecimento e a inovação que estamos produzindo.”
Assim, a FADEPE atua como uma parceira estratégica na execução dos projetos, contribuindo para reduzir riscos, dar segurança aos procedimentos e permitir que pesquisadores e gestores direcionem sua atenção ao desenvolvimento das pesquisas e à geração de resultados.
Ampliar conexões para gerar impacto
Com o credenciamento, as perspectivas para os próximos anos estão relacionadas à consolidação e à expansão da Unidade EMBRAPII do IF Sudeste MG. Entre as metas estão a atração contínua de indústrias, cooperativas, agtechs e produtores do setor agropecuário, ampliando o volume e a diversidade de projetos de PD&I e fortalecendo a interação entre a instituição e o setor produtivo. Essas perspectivas também foram construídas com a contribuição de Sérgio de Miranda Pena, diretor da Unidade EMBRAPII.
A médio e longo prazo, a Unidade pretende se posicionar como referência nacional em tecnologias sustentáveis para a produção animal, contribuindo para a modernização dos sistemas produtivos e para o desenvolvimento de soluções aplicáveis aos desafios do agronegócio, especialmente para pequenas e médias empresas.
Esse movimento pode gerar impactos que ultrapassam os próprios projetos, com potencial para estimular a geração de inovação e negócios, aumentar a competitividade das empresas, criar empregos de maior qualificação e agregar valor às cadeias produtivas. Ao mesmo tempo, fortalece a formação dos estudantes, aproximando a experiência acadêmica das demandas reais do mercado de trabalho e ampliando oportunidades de aprendizagem prática, inserção profissional e permanência estudantil.
“As perspectivas para os próximos anos são de consolidação, expansão e ampliação do impacto da Unidade EMBRAPII do IF Sudeste MG”, afirma Fabianne. A expectativa é que esse processo fortaleça a contribuição da instituição para o desenvolvimento tecnológico, econômico e social de Minas Gerais, ampliando as conexões entre pesquisa, inovação, setor produtivo e sociedade.