Indústria 4.0 exige colaboração, educação e incentivos

01 de Outubro de 2018

Colaboração para inovar, políticas públicas que fomentem e incentivem as inovações bem como atuem para atualizar o sistema educacional dos países, além de seguir rotas que ‘cortem caminho’ no avanço da digitalização são algumas das recomendações dadas pelos especialistas que participaram do 6º Congresso Brasil-Alemanha de Inovação, promovido pela Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha de São Paulo (AHK São Paulo). A Fadepe esteve representada no evento, realizado nos dias 27 e 28 de setembro na sede da Investe SP, na capital paulista. O Congresso foi uma parceria da Câmara com o Centro Alemão de Ciência e Inovação (DWIH São Paulo).

Cerca de 400 representantes do governo, de empresas e de instituições de ciência, tecnologia e inovação (CT&I), do Brasil e da Alemanha, estavam reunidos no evento e deram sequência às discussões sobre indústria 4.0 e digitalização, temas já abordados em anos anteriores. Nesta edição, o objetivo foi abordar os reflexos da aplicação dessas tecnologias na sociedade.

Na abertura do evento, Wolfram Anders, vice-presidente executivo da empresa Robert Bosch América Latina e presidente da AHK São Paulo, ressaltou que inovação é uma preocupação constante para a Câmara de Comércio, em razão da posição de liderança no mercado. Isso se confirmou na fala de Georg Witschel, embaixador da Alemanha no Brasil, que apresentou os diferentes programas de incentivo e fomento e mudanças na regulação que o país está criando, de modo a tornar o ambiente alemão mais favorável à inovação e a aumentar a competitividade – especialmente das pequenas e médias empresas do país, e na aposta em tecnologias do futuro, como a indústria 4.0.

Em um congresso marcado pela discussão sobre a aplicação do conhecimento, Sören Metz, presidente do Conselho do DWIH São Paulo, destacou outro elo da cadeia de inovação. “É preciso falar do papel da pesquisa básica como fonte de inovação”, pontuou. “Também devemos pensar na inovação em seu sentido mais abrangente, do qual a inovação social faz parte”, acrescentou.

Um consenso no Congresso é de que o Brasil é um celeiro de oportunidades, mas enfrenta gargalos como um ambiente regulatório complexo, dificuldade para estabelecimento de parcerias e existência de fronteiras legais não muito claras. “Também não adianta termos o conceito de smart (inteligência, como smart cars, smart cities etc.) se não colocarmos nossos talentos nesse contexto”, lembrou Antonio Larceda, da Basf, ao tratar das oportunidades e desafios para inovar, tema do primeiro painel.

Em termos de estratégias nacionais para a indústria 4.0, Alemanha e Brasil já deram passos concretos e têm atuado em parceria, como mostrou o segundo painel. David Carlos Domingos, do Fraunhofer Institute for Production Systems and Design Technology (IPK), apresentou a plataforma alemã para o desenvolvimento desse segmento, coordenada pelo Ministério Federal da Energia, da qual participam governos locais, empresas e entidades. Ele também mostrou projetos e aplicações, como o de definição da estratégia em indústria 4.0 para Berlim; a Emmy, um serviço de scooter elétrico disponível em Berlim, e o projeto Virtual Reality Twins, no qual desenvolvem um robô virtual e um real que podem trabalhar juntos em processos de manufatura. No Brasil, foi criada uma agenda nacional para a indústria 4.0, explicou Rafael Moureira, secretário de Inovação do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Desse modo, entre tantas questões levantadas no evento, no campo da cooperação, duas iniciativas foram trazidas por Carlos Eduardo Pereira, diretor de Operações da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e presidente da Iniciativa Brasil-Alemanha para Pesquisa Colaborativa em Tecnologia de Manufatura (Bragecrim), um programa fomentado pela Sociedade Alemã de Amparo à Pesquisa (DFG) em parceria com agências brasileiras. “Olhamos não só o chão de fábrica, mas toda a cadeia de produção, trabalhando com um conceito mais amplo do que apenas a questão tecnológica, chegando na análise de gestão e modelo de negócio”, explicou. Ele também falou sobre as unidades da Embrapii que podem desenvolver projetos em parceria com empresas e universidades no campo da indústria 4.0.

 

Fonte: Centro Alemão de Ciência e Inovação (dwih.com.br) com Edição Fadepe.






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