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Entrevista: 

Em comemoração à Semana da Mulher, entrevistamos a Prof.ª Drª. Priscila de Faria Pinto, atual Pró-Reitora de Pós-graduação e Pesquisa da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Nesta entrevista, exploramos o atual panorama das mulheres na ciência, especialmente no contexto da UFJF, sob a perspectiva de uma profissional experiente e inspiradora.

Prof.ª Drª. Priscila de Faria Pinto, Pró-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da UFJF

Quem é a Prof.ª Drª. Priscila?

Doutora em Ciências (Doenças Infecciosas e Parasitárias) pelo CPqRR/FIOCRUZ/MG, com Mestrado em Biologia Celular e Molecular pelo IOC/FIOCRUZ/RJ e Graduação em Farmácia e Bioquímica pela UFJF. Mãe da Ana, do João e do Pedro, ela compartilhou conosco os desafios de conciliar maternidade com a carreira acadêmica.

Conciliando família e carreira: desafios da maternidade na academia

Segundo a Prof.ª Drª. Priscila um dos principais desafios enfrentados pelas mulheres na ciência é conciliar a maternidade com a trajetória acadêmica. Ela ressaltou a dificuldade que as mulheres enfrentam ao iniciar a carreira científica, sendo que muitas delas estão em uma idade em que também desejam construir suas famílias, enfrentando obstáculos para equilibrar uma carreira extremamente exigente com as demandas, igualmente desafiadoras, da maternidade. A própria Pró-Reitora vivenciou esse desafio durante a gestação de seus dois primeiros filhos, quando cursava mestrado e doutorado. Na época, ela não contou com o respaldo da licença maternidade, ainda não regulamentada pelos órgãos educativos, O que possibilitou a continuação da trajetória acadêmica foi o apoio de uma rede solidária para superar esses obstáculos.

Disparidades de gênero: a realidade da diferença salarial

A disparidade salarial persiste como uma realidade preocupante, afetando principalmente as mulheres. Segundo dados do IBGE, as profissionais brasileiras ganham em média 77,7% dos salários dos homens. No entanto, a Prof.ª Drª. Priscila destaca uma vantagem na carreira científica: a valorização das habilidades independentemente do gênero. “Quando a gente qualifica as pessoas a ocupar algum cargo, através de algum concurso, por exemplo, concentramos nas habilidades, independente do gênero”. Essa abordagem ressalta a importância de valorizar as competências individuais, promovendo um ambiente profissional mais inclusivo e equitativo e beneficiando as mulheres que buscam uma carreira com condições salariais mais equitativas.

A dupla jornada feminina e os desafios para a igualdade de gênero

No entanto, a Pró-Reitora reconhece que o desafio de conciliar a carreira com a maternidade e o cuidado com a família pode prejudicar a igualdade de oportunidades. As mulheres muitas vezes enfrentam dificuldades para se qualificar e avançar em suas carreiras devido à necessidade de equilibrar múltiplas responsabilidades. A conhecida dupla jornada feminina, evidenciada pela jornada de trabalho média de quatorze horas a mais por semana, de acordo com o IBGE e que foi tema da redação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) do ano passado, amplia os obstáculos para a igualdade de gênero no mercado de trabalho. 

A importância das mulheres na ciência

Para a Prof.ª Drª. Priscila, a participação das mulheres na carreira científica desempenha um papel fundamental na promoção da diversidade e da igualdade de gênero. A presença do público feminino não apenas traz mais visibilidade, mas também inspira outras mulheres a ingressarem nesse campo, contribuindo para uma maior isonomia e promovendo a compreensão de que todos os espaços são igualmente valiosos para todos os gêneros.

Avanços e Reconhecimento

Atualmente à frente da Pró-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa, a Prof.ª Drª. Priscila observa um avanço significativo no número de mulheres na ciência. Ela destaca que as mulheres estão ocupando cada vez mais cargos de destaque, com reconhecimento não apenas nacional, mas também internacional. Esse avanço é evidente mesmo em áreas tradicionalmente dominadas por homens, como as ciências exatas, onde as mulheres estão se destacando e inspirando outras a seguir a trajetória científica.

Essa percepção é evidenciada nessa matéria especial da Diretoria de Imagem da UFJF, em celebração ao Dia Internacional da Mulher, que demonstra a invisibilidade histórica desse gênero, que vem sendo pouco a pouco revertida. 

Valorização institucional na UFJF

Na Universidade Federal de Juiz de Fora, a valorização da mulher na ciência é uma política institucional. “A UFJF tem muito cuidado com todas as mulheres que participam da comunidade acadêmica, sejam elas docentes, técnicas administrativas e também alunas. Essa valorização da mulher é uma política institucional, dando destaque, principalmente, às pesquisadoras.”, afirma a Pró-Reitora Priscila. 

Celebração e reflexão

Nesse contexto, a Diretoria de Ações Afirmativas (Diaff) da UFJF, em conjunto com as Pró-Reitorias e demais diretorias da Gestão Superior, promove ao longo do mês de março uma série de ações e atividades em celebração ao mês da mulher. Com o tema “Mulheres que constroem a UFJF”, a campanha visa dar visibilidade ao protagonismo feminino na universidade e promover reflexões sobre a busca pela equidade de gênero.

 

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