Ideias que estão transformando o campo

04 de Dezembro de 2017

No próximo fim de semana, acontece, em Juiz de Fora, a final da segunda edição do Ideas for Milk. O evento, promovido pela Embrapa Gado de Leite, tem como objetivo proporcionar um ambiente de ideias inovadoras e soluções digitais para os diversos setores produtivos da cadeia do leite através da movimentação de empreendedores em uma competição nacional.

A disputa é uma grande oportunidade para desenvolver um projeto, transformando-o em um novo negócio que promova a eficiência no setor lácteo. E Minas Gerais tem grande vocação para isso. O estado é o maior produtor de leite nacional, com mais de oito bilhões de litros por ano, de acordo com a pesquisa Produção da Pecuária Municipal (PPM), publicada em setembro pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mesmo com um recuo de 1,9% na produção no comparativo com 2015 (8,97 bilhões de litros), o estado se mantém líder, respondendo por 26,7% da produtividade nacional. Esses números movimentaram R$67 bilhões no país em 2016.

Com um cenário tão favorável à inovação, o Ideas for Milk, deste ano, registrou mais de 80 propostas para o Desafio de Startups, contando com a participação de empreendedores das cinco regiões do país. As ideias foram avaliadas por uma comissão de 112 profissionais especializados em leite, modelos de negócios inovadores e tecnologia da informação. A final presencial seria disputada entre as cinco melhores empresas, mas a qualidade das propostas surpreendeu tanto os avaliadores que eles optaram por classificar as 10 primeiras.

Aplicativo da nossa terra no Desafio Startup

Entre as finalistas está a startup juiz-forana, Scanner Bovino, que apresentou uma plataforma de gestão zootécnica de rebanhos, intuitiva e interativa, capaz de proporcionar aumento da produtividade e eficiência do rebanho, por meio da identificação automatizada de bovinos, aliada as boas práticas do manejo da pecuária de precisão. Ela é composta por 3 módulos. O primeiro é o painel de gestão, onde o produtor tem todas as informações e relatórios para a tomada de decisão. Já o segundo é o aplicativo, o responsável por coletar as informações durante o manejo, de forma inovadora e simples, por meio da câmera do celular. E o terceiro, são as câmeras fixas, onde o algoritmo automatiza a identificação do animal na fazenda permitindo a automatização de diversos manejos.

A startup já havia participado dessa mesma competição no ano passado quando apresentou um projeto piloto da plataforma e garantiu o segundo lugar na disputa. “Em 2016 apresentamos o protótipo do aplicativo, e os grandes prêmios para nós foram a validação de nossa proposta pelas bancas de especialistas e a grande visibilidade e divulgação da nossa plataforma”, conta Fabrício Campos, professor da Universidade Federal de Juiz Fora (UFJF) e um dos criadores da Scanner Bovino.

Para este ano, além do aplicativo, ele destaca uma outra novidade que ajudará ainda mais o produtor. “Agora, temos a plataforma completa! Além dos três módulos, iremos apresentar o ‘Miraí’, nosso robô que foi treinado com as boas práticas de manejo do rebanho leiteiro. Com os dados coletados e com a nossa inteligência artificial, ele faz as recomendações para o produtor, focado em aumento de produtividade do rebanho”.

Resultados

A Scanner Bovino iniciou como um projeto em 2016. Em março deste ano, a plataforma foi selecionada para o “Aceleração FIEMGLAB”, um programa que aproxima as startups da indústria mineira para que juntas criem negócios de sucesso no mercado, troquem experiências e gerem soluções para a sociedade, bem como competitividade e diversificação para a economia.

Após as etapas de teste e validação, com apenas 2 meses sendo efetivamente comercializada, a plataforma já acumula ótimos números.  A inteligência artificial do sistema já gerou mais de 750 recomendações automatizadas, seguindo as boas práticas de manejo e, através delas, foram registradas cerca de 10 crias provenientes de melhoramento genético assistido pela Scanner Bovino. Além disso, mais de 300 medicamentos e vacinas aplicados; mais de 50 inseminações realizadas. E uma grande contribuição na produção de leite, com uma média de mais de 3000 litros por dia, totalizando cerca de 100 mil litros de leite acumulado. Ao todo, 250 licenças de uso da plataforma já foram comercializadas.

Para Fabrício, a tendência é que esses números cresçam ainda mais. “Atualmente temos um planejamento estratégico para expandir a plataforma para todo o estado de Minas Gerais e para todo o Brasil. Com essa etapa do Ideas For Milk 2017, buscamos apoio e co-investimento para expansão para a América Latina. Acreditamos que nossa plataforma pode tornar as fazendas mais produtivas”.

Quando perguntado sobre a expectativa para a final, a resposta do professor foi categórica. “É mostrar o grande potencial de Juiz de Fora em desenvolver soluções tecnológicas inovadoras, entregando benefícios reais para o mercado com modelo de negócios verdadeiramente escalável e sustentável. É um privilégio estarmos entre as melhores soluções para o mercado de leite do Brasil na competição de 2017, acreditamos que esse reconhecimento vem do efetivo aumento de produtividade e simplificação do dia-a-dia dos produtores. Aproveitamos para agradecer à Emater-MG por acreditar no potencial de nossa plataforma e à Embrapa Gado de Leite por essa incrível oportunidade”, finaliza.

A vencedora do “Desafio Startup” será conhecida no dia 9 de dezembro.

Vacathon

Já no dia 10, acontece um novo desafio, dessa vez para as instituições de ensino superior, o Vacathon, a 1ª maratona de programação rural para produção de leite. Serão 20 universidades participantes, sendo que cada uma contará com um embaixador (a), que será o (a) responsável por criar um time de 3 a 5 estudantes.

A embaixadora da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), professora Priscila Capriles Goliatt, conta que no ano passado a instituição se destacou no evento e isso foi um dos motivos para participar, também, dessa nova competição. “Na primeira edição do Ideas for Milk a UFJF teve uma boa representação com equipes nos desafios de startups. O vacathon, desse ano, apareceu também como uma boa oportunidade para reunir alunos e ex-alunos com diferentes expertises, mas que não necessariamente, já estejam dentro de alguma startup”.

Para ela, a participação dos alunos em maratonas como o Vacathon auxilia os professores na avaliação dos profissionais que estão se formando. “Podemos verificar se o conteúdo que passamos para eles em sala de aula e as oportunidades que oferecemos de estágio e pesquisa científica atende à demanda de mercado”. E complementa dizendo que estes desafios preparam melhor os estudantes para o mercado trabalho. “É nesse momento que o aluno consegue ver o quão preparado está para colocar em prática suas experiências acadêmicas. Auxilia no contato com problemas reais de diferentes segmentos de mercado e os prepara para uma primeira experiência empreendedora”.

O time da UFJF já está pronto e conta com uma equipe multidisciplinar para tentar vencer a maratona. E a expectativa é alta. "Estamos muito empolgados e esperamos que as diferentes expertises de nossos alunos os ajude a manter o foco, a organização e sobre tudo a criatividade para o desenvolvimento de uma solução eficiente e viável que atenda uma real demanda do setor produtivo leiteiro", destaca Priscila.

O Ideas for Milk conta ainda com palestras nos temas inovação, empreendedorismo e agronegócio no dia 8. As inscrições para o evento vão até esta quarta-feira (6) e podem ser feitas aqui.






Outras Notícias

O período para submissão das propostas vai até 9 de fevereiro de 2018.

A maratona tem como proposta desenvolver uma solução que atenda especificamente a indústria.

A verba é para pesquisas que desenvolvam tecnologias para tratamento, diagnóstico e prevenção de doenças.

O período para submissão de propostas de projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação vai até 15 de dezembro .